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A Estante

Uma Pequena Luz (2023)

23
Mai23

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Uma Pequena Luz conta a história tragicamente conhecida do mundo, por uns olhos diferentes. Miep Gies era secretária de Otto Frank quando os nazis começaram a expulsar os judeus da cidade, rumo aos campos de concentração. Foi Miep que ajudou a família Frank a sobreviver, escondida, no sótão em cima do escritório que Frank geria. Durante dois anos, até a família ser descoberta pela Gestapo, Miep levou-lhes comida, esperança e humanidade, sendo essencial para Anne, como sua amiga mais velha e modelo.  Inconformada, tentou ajudar todos os que conseguiu, sendo um exemplo de coragem em tempos de trevas. E foi Miep que descobriu e guardou o famoso diário, com a ideia de o devolver a Anne, mas infelizmente só o conseguiu dar ao pai, seu antigo patrão e amigo. Bel Powley é um portento, muito bem acompanhada por Joe Cole (como seu marido, Jan); Otto (Liev Schreiber); Anne (Billie Boullet) ou Edith (Amira Casar).

Jack Kirby (2020)

16
Mai23

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Para mim, a primeira vítima desta fabulosa biografia aos quadrados de Jack Kirby, por Tom Scioli, foi Stan Lee. A visão de Scioli coloca Lee como vilão da vida de Kirby, como companheiro dissimulado e patrão aproveitador. A narrativa aponta claramente para que Lee tenha ficado com o crédito do trabalho de Kirby. Basicamente, Kirby deveria ser conhecido e reconhecido hoje, como Lee o é. E, eu, infelizmente, só o conheci há pouco, quando li estas quase 200 páginas. Acompanhamos aqui toda a vida de Kirby, que viveu a Grande Depressão, lutou na Segunda Grande Guerra e regressou para se dedicar ao desenho e escrita, ajudando a Marvel a voar, ao lado de Lee. Criou ou cocriou algumas das personagens de banda desenhada de sempre, como o Capitão América, Fantastic 4, X-Men, Iron Man, Thor ou os Avengers. Imperdível.  

A Amiga Genial (2023)

15
Mai23

Design sem nome (4).pngDepois do sucesso estrondoso dos livros e da adaptação a série, chega agora a versão em banda desenhada de A Amiga Genial, de Elena Ferrante. Chiara Lagani, dramaturga e intérprete de teatro, e Mara Cerri, ilustradora, passam para as vinhetas a história das amigas e Lila e Lenù, desde os anos 50, quando eram meninas até serem adultas maduras. Não sendo uma transposição literal, é uma belíssima interpretação do mundo de Ferrante.

Por Tutatis! (2023)

11
Mai23

As aventuras de Lapinot, um coelho pragmático e irónico, chegam a Portugal, em português, no seu sexto volume. Aqui, Lapinot, que eu não conhecia, acorda no mundo de Astérix e Obélix, como Astérix e só nós, leitores, o vemos como coelho. Lapinot interage com as personagens que bem conhecemos e também com Tutatis, um Deus, de quem logo desconfiamos. Com muito humor, esta é uma boa surpresa que vale a pena ser descoberta.

Les Portugais (2022)

10
Mai23

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Les Portugais conta uma história que não surpreende ninguém, mas nem por isso deixa de ser válida e de tocar profundamente quem a lê. Nos anos 60, Mário, impulsionando pela mãe deixa Portugal para fugir à miséria e ao recrutamento. Como milhares (o número não andará longe do milhão) de compatriotas ruma a França, em segredo. Acompanhamos então a sua jornada juntamente com a de Nel, que conhece pelo caminho, escondido no camião de um contrabandista e depois num comboio, clandestinamente, até chegar e estabelecer-se em Paris onde, como todos os portugueses começou a trabalhar nas obras e a viver num bairro de lata, sem condições.

É em Paris que Nel começa a desenvolver atividades que lhe dão dissabores ao contrário de Mário, mais parecido com os outros portugueses, apenas em busca de ganhar a vida e ter uma vida tranquila. Mário conhece outros imigrantes, nem todos portugueses e sobretudo, conhece Eva, por quem se apaixona. Este é um pequeno diário de uma geração em busca de melhor vida, tolerada por uma sociedade que os vê como inferiores mas que os aproveita para que o país cresça.

Como Antes (2022)

09
Mai23

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Depois de anos sem dar notícias à família, Fábio, jogador de boxe em declínio, recebe a visita do irmão mais novo, Giovanni. O pai morreu e devem os dois regressar à Itália natal para levar as suas cinzas e recolher a parca herança. Mesmo sem grande vontade de deixar França, Fábio, sempre a fugir de alguém, acaba por ceder e fazer uma viagem ao passado, ao lado do irmão. Aos 17 anos, Fábio juntou-se aos fascistas em crescendo e o pai expulsou-o de casa. Regressa agora, a bordo do velho FIAT 500 do pai, para redescobrir um mundo que deixou para trás e ver aqueles que deixou, sem olhar para trás.