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A Estante

Cara ou Coroa (2018)

18
Jul23

Design sem nome (9).pngDepois do clássico Kane e Abel, voltou aos escritos de Jeffrey Archer para ler este Cara ou Coroa, que, um pouco como Kane e Abel, acompanha duas histórias que se cruzam, sendo que as duas histórias são, na verdade, a vida do mesmo homem: Alexander Karpenko. Adolescente na Leninegrado comunista, Alexander tenta viver uma vida mais ou menos despreocupada até que o seu pai, que se recusa a filiar no partido ou a pensar por outra cabeça que não a sua, é assassinado pelo KGB. É hora de Alexander e da mãe, Elena deixarem a Rússia. No porto, têm uma escolha: ir para os EUA ou para Inglaterra. Descobrimos que vão para…os dois. Archer desenha-nos a vida de filho e mãe nos dois cenários. Assim, metade do livro acompanha Alexander, conhecido em Inglaterra como Sacha, num percurso de sucesso académico e político, ao mesmo tempo que ajuda a mãe a construir um império de restaurantes de grande qualidade, um ponto em comum com Alex, a versão americana. Alex gosta pouco de estudar, acabando por se tornar dono de várias barracas de rua, sendo um jovem empresário de sucesso até ir para o Vietname onde conhece um destacado político, oriundo de uma família de grandes posses que ajudará a triunfar na vida. Um sucesso narrativo.

Cavaleiro (2022)

05
Jul23

Design sem nome (10).pngJoseph Bologne, nascido em Guadalupe, chega cedo a França para prosseguir a sua educação, sobretudo musical, dado o seu óbvio talento. Filho de um francês e de uma nativa, Joseph é bastardo e mulato, sendo tratado com desprezo por muitos dos que encontra durante a sua vida. Isso não o impediu de ter uma personalidade forte e até com excesso de confiança, que se fortaleceu com as vitórias na esgrima, a amizade com a Rainha Maria Antonieta que o nomeou cavaleiro e claro, com o sucesso que vai alcançado na música. À medida que a posição da monarquia se torna mais frágil e a Revolução espreita, Joseph tem que lutar para se manter influente, dando mais provas do seu talento, enquanto ambiciona dirigir a Opera de Paris e ter uma relação proibida. Fabuloso desempenho de Kelvin Harrison, num biopic de Stephen Williams sobre um compositor que Napoleão tentou apagar da história, sem sucesso.

Dispara, Eu Já Estou Morto (2013)

03
Jul23

Design sem nome (11).pngJulia Navarro é a mestre da ficção histórica e, como já aqui escrevi, não será exagero chamar-lhe a versão feminina de Ken Follett. Em “Dispara, Eu Já Estou Morto”, de 2013, a espanhola debruça-se sobre o conflito israelo-árabe dando espaço ao olhar judeu e árabe. De um lado, está a família Zucker, judeus de origem russa que chegam à Palestina representados por Samuel, quando a sua família tinha morrido às mãos de extremistas. Primeiro, a mãe e irmãos, por simples ódio à sua religião judaica e muitos anos mais tarde, o pai, por ódio aqueles que não pensavam como o poder reinante. Do outro lado, estão os Ziad, habitantes da Palestina desde sempre e arrendatários de um pequeno pedaço de terreno que, um dia se tonar propriedade de Samuel e outros judeus que, contra todos os seus preconceitos se tornam seus amigos num punhado de casas e terras agrícolas a que passam a chamar a Horta da Esperança, um micro lugar que o grupo gostava que se tornasse um exemplo do que deveria ser a nova Palestina.

Quando chega à Palestina, Samuel já se despediu daqueles que mais gostava. Em criança, amaldiçoou o seu judaísmo quando a mãe e irmãos foram assassinados apenas pela sua religião. Com a Rússia mãe numa situação difícil, o jovem Samuel e o pai mudam de vida. Primeiro vão para São Petersburgo, vivendo num pequeno quarto na casa de duas irmãs viúvas, onde Samuel estuda e o pai, Isaac, faz pela vida vendendo peles que anualmente vai buscar a Paris. É ali que Samuel se forma como homem, com a estreita influência de amigos de maiores posses, mas que sempre o tratam como um igual. É ali que começa um amor não correspondido por Irina e que se apaixona pelas fórmulas, que fazem dele botânico, conhecimentos que ajudarão muitos na Palestina. Já sem o pai, que mais uma vez tudo fez por Samuel, o jovem chega a Paris com Irina e um pequeno protegido e, depois de perceber que a bela Irina nunca fará vida com ele, decide tentar a sorte na Palestina.

É na Palestina que já vivem os Ziad, com Ahmed como seu chefe de família, ele que trabalha a terra e a pedra, ganhando para o sustento da mulher e filhos. Quando a pedreira deixa de dar o lucro que o seu senhorio árabe pretende, é vendida e Samuel e um grupo de estranhos tornam-se donos da sua casa e terras e um outro, da pedreira. Ahmed nada perde. Pelo contrário. Mantém a casa, o trabalho e ganha um grupo de amigos, mesmo que nunca entenda alguns dos seus costumes. Judeus e árabes conseguem fazer das suas casas, um oásis de tranquilidade. Mas, de um lado e de outro, muitos são os que não entendem aquelas amizades e que pretendem que os lados se distanciem e que os amigos escolham as suas “equipas”.

Tendo como pano de fundo os acontecimentos políticos e bélicos da altura, Navarro faz um registo magistral de um dos conflitos mais conhecidos do mundo, expondo argumentos de um lado e de outro, mostrando um possível caminho para que os dois povos convivam.