O País dos Outros (2021)
Estreei-me na obra da aclamada marroquina Leila Slimani com O País dos Outros. E que bela estreia. No fim da II Guerra Mundial, a francesa Mathilde, desejosa de deixar a sua vida rotineira apaixona-se pelo marroquino Amine, a combater pelo exército francês. Casa-se e aos vinte anos acompanha o marido até à sua Marrocos natal. Mas o país africano, nos anos 40, não era o que Mathilde esperava e desejava. Na província marroquina, Amine divide-se entre a dedicação quase obsessiva à quinta que o pai lhe deixou e da qual é difícil tirar frutos e um estilo de vida profundamente conservador, no qual o homem pensa e decide sozinho, mesmo que a mulher dê mostras de perspicácia. Mathilde é maltratada ou ignorada e tudo o que faz parece envergonhar Amine pressionado por uma sociedade machista e fechada. Sem meios nem vontade própria, a francesa tenta criar os filhos o melhor que sabe e sobreviver num mundo de solidão.
Stoner, de John Williams, editado pela primeira vez em 1965 é um grande romance americano que tem passou mais ou menos despercebido por muitos anos, tanto que Williams foi muito mais celebrado (merecidamente) por Augustus, de 1972.
O Cavaleiro do Unicórnio, de Stéphane Piatzszek e Guillermo G. Escalada é uma obra triunfante na parte das ilustrações, em especial aquelas que mostram a ação das batalhas. No que toca à história, é confusa e porventura sem grande sentido ou profundidade, o que no geral transforma o livro numa grande desilusão.
Eis uma das melhores bandas desenhadas do ano.

A Casa de Pineapple Street de Jenny Jackson conta a história dos dias de uma família muitíssimo rica de Nova Iorque, com destaque para três mulheres: Sasha, Darley e Georgiana.
Cubra Libre continua a contar a história de evolução da ficção nacional, em termos de qualidade técnica, qualidade de narrativas e de representação. Desta vez, debruça-se sobre a história verídica de Annie (Beatriz Godinho), filha do diretor da PIDE e criada num contexto de privilégio que acaba por abraçar a causa comunista em Cuba e apaixonar-se por…Che Guevara.
Gosto bastante de histórias autobiográficas que incluem a adaptação a novos países porque sendo histórias comuns não deixam de ser pequenas epopeias ou páginas heroicas pessoais. Normalmente, trata-se da adoração de emigrantes a países desconhecidos, como acontece