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A Estante

A Estante

11 de Novembro, 2025

Death by Lightning

Minisérie, 2025

Francisco Chaveiro Reis

 

A história da política norte-americana contém o assassinado de quatro presidentes. O primeiro caso, o de Abraham Lincoln, em 1865 e o último, o de JFK, em 1963, são os mais conhecidos, e alvo de referências no entretenimento. O de William McKinley, em 1901 é particamente desconhecido.

Já o de James Garfield, 20.º presidente, acaba de inspirar uma minissérie da Netflix. Em Death by Lightning conhecemos não só o presidente, como o seu assassino. Vimos Garfield (Michael Shannon), homem de família, com uma vida rural, rumar ao congresso do partido, sobretudo para apoiar um putativo candidato a presidente.

Um brilhante discurso fez com que os votos se virassem para ele, mesmo contra a sua vontade. Decidido a mexer nos poderes estabelecidos, não é visto como candidato adequado no seio do partido, mas maioria vence e Garfield torna-se presidente. Os inimigos mostram-lhes os dentes e tentam por tudo parar uma mudança de status quo, mas a solução vem de um “zé-ninguém”.

Com ilusões de grandeza, Charles Guiteau (Matthew Macfadyen), sente que merece ter um papel de destaque no mundo, mesmo que todos lhe digam o contrário. No meio de pequenos crimes (roubar o próprio cunhado) e muita “chico-espertice”, tenta a todo o custo ter um lugar na nova administração, sem que tenha qualificações ou qualquer ligação ao presidente e aos que o rodeiam. Quando finalmente entende  que não terá a sua oportunidade, Charles começa a pensar numa forma de se vingar do presidente.

06 de Novembro, 2025

Prestes a Explodir

Filme, 2025

Francisco Chaveiro Reis

Kathryn Bigelow, já vencedora de um Óscar um filme de guerra, regressa à temática, mesmo que desta vez a guerra seja, ainda invisível.

Pouco antes do impacto de uma arma nuclear nos EUA, vemos o ponto de vista de três personagens sobre os acontecimentos. Ninguém sabe quem lançou o míssel e os especialistas tentam recomendar o melhor curso de ação, enquanto se mostra a humanidade de todos os americanos envolvidos no processo, através de pontos de contactos com as suas famílias.

Primeiro conhecemos Olivia Walker (Rebecca Ferguson), a capitã da Sala de Situação, que lidera a resposta norte-americana. Olivia é uma profissional dedicada, mas é também mãe de um menino adoentado, casada com um homem gentil e chefe de dezenas de pessoas, incluindo do seu braço direito, a lutar contra o seu nervosismo para pedir a namorada em casamento. A dimensão humana vive lado a lado com a crise em questão.

Conhecemos de seguida, Jake Baerigton (Gabriel Basso), número do Conselho de Segurança Nacional, que se atrasa para a reunião em que a crise está a ser discutida e tem a mulher prestes a dar à luz. Jake torna-se no principal conselheiro do Presidente.

Presidente esse, que é o terceiro ponto de vista que temos. Idris Elba é o POTUS e cabe-lhe a mais difícil das decisões, a de começar ou pelo menos continuar uma guerra nuclear. Também ele, como outros personagens de segunda linha, fala com um ente querido, a mulher, no caso, no meio da crise, sublinhando o ponto da realizadora.

Kathryn Bigelow passa com sucesso a tensão e o funcionamento dos EUA num caso destes, mas entrega um fim dececionante e um filme demasiado repetitivo e mal equilibrado. Queremos sentir que a vida pessoal está presente, mas não que é mais importante do que uma crise que pode acabar com o mundo.

04 de Novembro, 2025

The Ed Gein Story

Série, 2024

Francisco Chaveiro Reis

A história de Ed Gein é contada na nova temporada na série da Netflix, Monsters, que já se debruçou sobre os assassinos Jeffrey Dahmer e os irmãos Menendez.

Ed Gein, que confessou ter matado duas melhores nos anos 50 (desconfiam-se de mais mortes, a começar pelo do próprio irmão), além de ter ficado celebre por exumar corpos e com eles, especialmente com a pele, fabricar troféus, roupas e itens de decoração (candeeiros, cadeiras ou simples taças feitas de crânios).

Gein terá tido inspiração nas atrocidades nazis, em especial as de Ilse Koch, conhecida como A Cabra de Buchenwald (no segundo episódio, é sugerido que sem este a influência, o “mal” de Gein poderia nunca se ter manifestado).

Charlie Hunnam, ator britânico, celebre pelo seu papel em Sons of Anarchy, dá vida a Ed. Vamos encontrá-lo numa fase da vida em que o pai, alcoólico já morreu e o irmão mais velho (que acaba por morrer) procura uma vida normal junto de uma mulher, o que é mal visto pela mãe. A mãe é uma personagem central na série, tal como terá sido na vida de Ed, tanto que o primeiro episódio de Monster, se chama justamente mãe. Fanática religiosa, rejeita qualquer tipo de alegria ou divertimento, criou os filhos lendo longos e violentos excertos da bíblia e sempre desprezou o marido, dado aos prazeres terrenos. Lida com os filhos com mão de ferro e vê todas as mulheres como instrumentos do Diabo. Tem dois AVC´s e eventualmente deixa Ed sozinho.

Se a história mostra uma mente fora do comum, capaz das ações mais horríveis, mostrar Hunnam como um ator de elite, capaz de nos deixar absolutamente desconcertados.

Um ponto interesse desta terceira temporada é a forma como mostra que Gein influenciou a cultura norte-americana, a começar pelo cinema. Alfred Hitchcock também é personagem da série, uma vez que se terá inspirado em Gein para criar o infame vilão de Psycho. Tanto ele como o protagonista sofreram com o sucesso do filme, já que o público passou a querer cada vez mais sangue. Teve-o, por exemplo, anos mais tarde com Massacre no Texas, que também se inspirou no sadismo de Gein. O Silêncio dos Inocentes também terá sido inspirado em Ed. Em 2007, quase 20 anos antes desta série, saiu o filme Ed Gein: The Butcher of Plainfield.

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