Frankenstein
Filme, 2025

O mestre Guillermo Del Toro propôs-se a recriar uma das histórias mais conhecidas do mundo da ficção. Frankenstein, publicado há mais de 200 anos (uma primeira versão, anónima, em 1818 e aquela que será , conta a história de um ambicioso estudante de ciências naturais que cria um “monstro”, que abandona, mas que o persegue, sobretudo, com a exigência da criação de uma companheira.
Aqui, Del Toro mostra-se fiel à história, sem deixar de fazer um outro desvio. Temos o encontro na neve, quando um comandante de um navio encalhado encontra e acolhe Victor e o consequente aparecimento do seu perseguidor. O capitão do navio ouve então a versão de Victor e a da sua criatura.
Victor (Oscar Isaac, na versão adulta) conta a história da sua infância abastada, num imenso castelo, com a amada mãe e com as visitas casuais de um pai, mais velho, conceituado médico e quer moldar Victor à sua imagem, pelo menos até nascer o seu irmão e morrer a mãe de ambos. Quando o pai morre e a fortuna se reduz, os irmãos seguem caminhos separados. O de Victor é o de ser estudante, brilhante, mas provocador, capaz de desafiar a morte e de dar vida a homens mortos, retalhando-os e juntando peças, algo mal visto pela academia.
Só um homem acredita na visão de Victor. O antigo cirurgião e agora empresário de sucesso, Harlander (Christoph Waltz), coloca ao dispor de Victor todas as condições para ser bem-sucedido. Harlander é, ainda, tio de Elizabeth, noiva do irmão de Victor, por quem o cientista acaba por se apaixonar perdidamente, acrescentando mais uma camada de drama à história.
Desiludido com a sua criação, com quem começa a ser cruel, abandona-a à sua sorte, pensando que a mataria.
Eis que é a vez da criatura (Jacob Elordi) contar a sua visão e como escapou à morte certa para com, observação de uma família humilde e com a ajuda de um ancião, começa a ganhar vocabulário e consciência de si e do mundo. E é aí que entende que não tem lugar entre os homens e que deve isolar-se, querendo ter uma sua igual como companhia.
Del Toro cria um ambiente gótico, tendo feito de raiz vários cenários (o barco encalhado na neve ou o gigantesco laboratório de Frankenstein), sem recorrer a atalhos tecnológicos e não se coíbe de mostrar, com toda a crueza, os detalhes da pesquisa e criação do monstro, o que envolve retalhar muitos cadáveres, além de rios de sangue serem frequentes. Foram 120 milhões de euros muito bem gastos, num filme que vive de retalhos de uma história bem conhecida e se ergue como uma nova criatura, que é bonita de se admirar.