O Sexto Sentido
Livro, 2025
Poucas semanas depois de Dan Brown, José Rodrigues dos Santos lança o seu novo livro. Se Brown demorou oito ano para fazer regressar Robert Langdon, o português demorou menos de um ano a trazer uma nova aventura da versão local do académico inventado por Brown. E bem faria ao pivot que demorasse mais tempo a lançar as suas obras. É que mesmo para quem é leitor regular como eu, a vontade de deixar de o ser é cada vez maior e chegar ao fim do volume é um exercício cada vez mais penoso.
Desta vez, Tomás Noronha é obrigado a investigar a morte misteriosa do amigo Kurt Weillman, que caiu de um décimo andar. Os mesmos que assassinaram o norte-americano também andam atrás de Noronha que se vê no meio de uma classe de substâncias terapêuticas com propriedades milagrosas. Se Rodrigues dos Santos consegue dar alguma densidade ao seu protagonista (a sua depressão, a mulher que tem um namorado numa pausa no casamento, a mãe demente), a verdade é que esse esforço de aproximação entre leitor e herói se estilhaça quando vemos o académico cometer proezas atléticas apenas ao alcance do "ninja" com o melhor treino possível, como é caso do misterioso assassino contratado que o persegue pelo mundo.
Mais uma vez, José Rodrigues dos Santos não escreve bem (há passagens sofríveis) e agora faz publicidade aos seus livros anteriores, chamando-os pelo nome, frequentemente. Em casos felizes, como nos livros sobre Gulbenkian, A Filha do Capitão, Codex 632 ou O Segredo de Espinosa, as falhas do autor são perdoáveis, já que entrega, mastiagada, muita informação interessante. Desta vez, não entregou nada de memóravel.