Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A Estante

Fouche - El Genio Tenebroso (2023)

11
Mar24

Cópia de Design sem nome.png

Ainda não disponível em português, “Fouche - El Genio Tenebroso”, da Norma Editorial, baseia-se na biografia que Stefan Zweig escreveu sobre Joseph Fouché, político francês da altura da Revolução Francesa, conhecido pela sua falta de caracter e pelo epiteto “Judas da Revolução”. O talentoso Kim adapta a banda desenhada a vida de Fouché que foi de estudo e de estar nas sombras, sempre antevendo quem era o lado vitorioso para se colocar ao seu lado, sem pensar duas vezes.

Our Little Secret (2023)

22
Jan24

Cópia de Design sem nome (1).png

Our Little Secret conta a história verídica de como a jovem Emily Carrington foi sistematicamente violada por Richard, vizinho e suposto amigo do pai. Filha de um casal britânico a viver no Canadá, Emily escolhe viver com o pai, depois da separação dos pais. A viver numa casa pobre e sem grande limpeza, Emily sente frio e desconto encontrando-o na casa dos vizinhos, Richard e Brenda, onde pode tomar banho de água quente, comer uma boa refeição quente e ter uma vida relativamente normal por oposição à que tinha com a mãe, com alguma violência e à que tem com o pai, que lhe grita por tudo e por nada. Mas, Richard, a sós, revela-se algo além do “pai substituto” que poderia ser. Começa a aproveitar-se de Emily, que, sem estar habituada a gostar de si mesma não sabe rejeitar algo que não quer. Só alguns anos depois se atrave a contar e a fazer queixa do seu agressor. Um relato duro.

Sunny #1 (2023)

07
Jan24

Design sem nome.pngSunny é a personagem central da mangá com o mesmo nome de Taiyo Matsumoto. Não fingirei ser um entendido neste subgénero, no qual dei há poucas semanas os primeiros passos, mas sei que tanto esta coleção de livro como o seu autor são reconhecidos e premiados. Sunny não é mais do que um carro, estacionado à frente de uma casa que recolhe jovens cujas famílias não têm posses para os criar. Ao entrar no carro, os jovens podem fugir da realidade e imaginar estar a viajar para um qualquer destino exótico. Mas há mais do que Sunny na casa de acolhimento Hoshinoko. Cada criança tem uma personalidade própria e em geral rebelde, por fora ou por dentro, e combate os seus medos, nomeadamente o de ficarem a viver ali para sempre. Um triunfo visual e narrativo que expande os limites daquilo que eu pensava que a manga era: apenas histórias do fantástico.

A Espera (2023)

14
Dez23

Design sem nome (1).png

 

Acaba de sair pela Iguana, este fabuloso A Espera, considerado, como destaca a capa, pelo The Washington Post e pela Forbes como melhor novela gráfica do ano. Não sei se o será, mas ocupa, pelo menos, um lugar bastante alto nesse top imaginário e sobretudo, subjetivo.

Aqui, Keum Suk Gendry-Kim, sul coreana nascida em ditadura e com estudos e vida feita em França, fala-nos de uma realidade que a tocou de perto. A separação das duas Coreias e a consequente separação de familiares. Tal aconteceu com a mãe e com a tia, sendo que a autora só descobriu esta história quando já era adulta. A história central é a de Gwijá, de 92 anos, que após 70 anos, ainda tem esperança de encontrar o filho mais velho ao mesmo tempo que a Cruz Vermelha ajudou a sua amiga Jeong-Sun a reencontra a irmã.

A Espera usa um traço relativamente simples, a preto e branco, para contar a história de vários cisões, começadas em 1950 e uma parte essencial da história coreana.

A Menina que Veio do Outro Lado - Vol. 1 e Vol. 2 (2023)

13
Nov23

Design sem nome.png

Na minha estreia na manga e no ler “ao contrário” debrucei-me sobre uma série de Nagabe, intitulada A Menina que Veio do Outro Lado, que lhe deu fama mundial, com os dois primeiros pequenos volumes já editados em português. Numa terra que não sabemos bem onde é, nem quando é, a sociedade divide-se entre os “normais” e aqueles que estão amaldiçoados por uma estranha doença. Os normais vivem dentro das muralhas do seu reino e outros, na floresta. É aqui que encontramos Shiva, uma criança humana, aparentemente normal, mas que vive com Doutor, uma criatura negra, com chifres, mas com uma figura vagamente humana. Enquanto a criança pensa que a família um dia a virá buscar, Doutor, que depreendemos ser o resultado final da maldição, cuida dela como se de uma filha se tratasse. Sem ferir os sentimentos e esperanças de Shiva, Doutor tenta que a sua vida seja tão boa quanto possível, enquanto a realidade espreita.

Mau Género (2023)

25
Out23

Design sem nome (1).pngEis uma das melhores bandas desenhadas do ano. Mau Género, de Chloé Cruchaudet, é baseada na realidade e conta a história de um casal, Paul e Louise que se casa pouco antes dele partir para a Primeira Guerra Mundial. Vendo de perto os horrores das trincheiras e dos colegas mortos, Paul corta o próprio dedo e passa os meses seguintes na enfermaria, longe da frente de batalha. Quando está na hora de regressar à guerra, deserta. Cabe a Louise esconde-lo e sustenta-lo, mas Paul sente-se preso e oprimido e um dia, quase por acaso, veste um vestido da mulher para ir à rua. Surpreendido por ninguém perceber o embuste tem então a ideia de se vestir mais vezes de mulher para poder sair do seu esconderijo. Com a ajuda de Louise, torna-se numa figura cada vez mais feminina e quando o disfarce deixa de ser necessário não é fácil a Paul voltar para uma vida que já não conhece. Um tremendo triunfo visual e narrativo.

Turning Japanese (2023)

18
Out23

Design sem nome (2).pngGosto bastante de histórias autobiográficas que incluem a adaptação a novos países porque sendo histórias comuns não deixam de ser pequenas epopeias ou páginas heroicas pessoais. Normalmente, trata-se da adoração de emigrantes a países desconhecidos, como acontece em Welcome to The New World ou até a preparação de antecipação da viagem, como em When Star Are Shattered.

Em Turning Japanese, temos algo um pouco mais simples, como a busca pelas origens. MariNaomi descreve o seu percurso entre os EUA, onde nasceu e cresceu e o Japão dos seus antepassados, entre os quais a mãe que sempre quis falar com ela em inglês. À medida que envelhece, a autora e protagonista procura saber mais sobre o Japão e quer aprender a língua, mudando-se para o país e tentando tornar-se, aos poucos, aquilo que já é, japonesa.

Elise e os Novos Partisans (2023)

17
Out23

Design sem nome (1).pngVista tanta vezes como uma arte menor, a banda desenhada tem a vantagem de simplificar mensagens ou contextos difíceis, ilustrando-os e resumindo-os. É essa fórmula que segue “Elise e os novos partisans” de Dominique Grangé e Tardi, que tem edição portuguesa da Ala dos Livros, com data de saída de maio deste ano.

O livro debruça-se sobre a Paris dos anos 60 e 70, com a independência da Argélia como pano de fundo. Conhecemos a violência cega da polícia contra os emigrantes argelinos, vindos dos subúrbios (algum nunca de lá tinham saído) para protestar e damos um salto de alguns anos para conhecer Elise, que no liceu, em Lyon, fora desperta por uma professora para a questão da autodeterminação dos povos e para o direito da Argélia existir por si. Elise começa a documentar-se sobre colonização, a escravatura, a luta de classes ou o marxismo e acaba por continuar a sua vida em Paris.

Nos anos antes do famoso maio de 68, Elise é uma cantora de algum sucesso, abandonando a carreira para se juntar à luta contra a exploração dos trabalhadores, a injustiça social e o racismo. O percurso único de Elise mostra-nos a França de então, e muitas das convulsões que são comuns aos dias de hoje.