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A Estante

Stoner (1965)

27
Out23

Design sem nome (2).pngStoner, de John Williams, editado pela primeira vez em 1965 é um grande romance americano que tem passou mais ou menos despercebido por muitos anos, tanto que Williams foi muito mais celebrado (merecidamente) por Augustus, de 1972. Há cerca de vinte anos, o mundo despertou para Stoner, que na verdade parece contar a banal história de um banal académico.

O Stoner do livro é William Stoner, filho de camponeses que pensava que o seu destino seria passar de camponês a meio tempo a camponês a tempo inteiro após as aulas. Mas o pai, mesmo calado, tinha outros planos e com sacrifício mandou o filho para a Universidade do Missouri. Queria que o filho tirasse um curso e aprendesse novas formas de trabalhar a terra, algo que era mais difícil a cada ano. Stoner fez a vontade ao pai, apaixonando-se pela Academia ao mesmo tempo que trabalhava para pagar o seu alojamento e alimentação.

Stoner começou de facto pela agronomia, mas o encontro com uma cadeira obrigatória de literatura inglesa fê-lo mudar de rumo. Mudou-se para as letras, algo que os pais só descobriram após a cerimónia de graduação. Stoner não mais voltaria à terra e continuaria no meio académico, decisão aceite com surpresa pelos pais, mas aceite. Mal visto por muitos por não se alistar para guerrear na Primeira Guerra Mundial e ignorado pela maior parte daqueles com quem se cruzou, Stoner foi ficando na Universidade, mesmo que sem grande avanço na carreira. No campo amoroso, apaixona-se e vem a casar com Edith, uma jovem algo misteriosa e sobretudo complexa que não lhe proporciona a felicidade que esperava, fazendo com que Stoner se aproxime mais do trabalho e de uma jovem colega.

Stoner parece ser daqueles livros sobre quase nada que se revelam ser sobre quase tudo: vida, morte, amor, propósito e muito mais. Uma melancólica delicia.