Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A Estante

Crooks (2024-?)

10
Abr24

Cópia de Design sem nome (3).png

Charly Markovic (Frederick Lau) deixou para trás uma vida de crime e de prisão como arrombador de cofres e tem agora, em Berlim, um respeitável negócio como chaveiro. Vive com a mulher e o filho desta. Mas o passado encontra-o e convenceu-o, a troco de dinheiro e ameaças, a fazer um último trabalho. Supostamente vai roubar um par de milhões euros. Afinal, em causa está uma moeda, valiosa e mediática, acabada de ser roubada. E quem a roubou foi uma poderosa família criminosa. Se roubar-lhes o que quer que fosse já acarretaria perigo de vida, o que dizer de, na operação de subtrair a moeda do cofre, o irmão mais novo do chefe da família ficasse no chão, morto?

Charly, abandonado por todos, desata a fugir, por várias cidades europeias com a estranha companhia de Jacob (Christoph F. Krutzler). Jacob, filho de uma prostituta e ainda não assumido por Grandalhão, chefe maior do crime em Viena, é um faz tudo da família. Uma da sua missão é ir à Alemanha recuperar a moeda, acabando por casar interesses com Charly, contra tudo e contra todos.

Cheia de ritmo, eis uma série surpreendente.

Supersex (2024)

05
Abr24

Cópia de Design sem nome (5).png

Rocco Tano, mais conhecido como Rocco Siffredi é um dos mais lendários atores pornos de sempre, apenas superado em popularidade por John Holmes e Ron Jeremy. Esteve no ativo entre o fim dos anos 80 e início dos anos 2000 e vive em Budapeste com a mulher até hoje, dedicando-se a produzir filmes.

Supersex, agora na Netflix, conta a história do ator italiano, tendo o cuidado de declarar a cada episódio que a série é apenas vagamente inspirada na vida de Rocco. Aqui, vemos a infância de Rocco, numa família pobre, num bairro perigoso, dominado por gangues que deixaram um dos seus irmãos com problemas mentais. Aos olhos do pequeno Rocco, Tommaso, acolhido pela família e visto como irmão mais velho, é o seu grande herói. É Tomma que o acompanha nos anos seguintes, em parelha com Lucia, uma jovem bonita que faz disparar a imaginação de todos no bairro e continua na cabeça de Rocco durante grande parte da vida adulta.

Vemos depois a caminhada triunfante de Rocco rumo ao sucesso, enquanto vemos a decadência de Tommaso, já em Paris, onde gere um restaurante e pequenas atividades delinquentes quanto Lucia se prostitui. Indo e vindo do seio do casal, Rocco transforma-se numa estrela e conhece Rosa, com quem está casado até hoje, também na vida real.

Mais do que os bastidores do mundo da pornografia este é o retrato sombrio dos fantasmas do passado, que podem acompanhar a vida adulta de todos nós.

Os senhores do crime (2024)

24
Mar24

Cópia de Design sem nome.png

Edward (Theo James) é um homem recto. No início da série vemo-lo como oficial dos chamados “boinas azuis”. Vê-se que tem o respeito dos seus soldados e vê-se que é justo e ponderado. Mas chega um carro a dar-lhe as notícias. O pai, está a morrer. Percebemos que o capitão vem das melhores famílias inglesas e que está prestes a tornar-se duque, mesmo com a existência de um irmão mais velho, idiota inútil.

De luto, percebe que o irmão, Freddy (Daniel Ings), contava ser o herdeiro e com a pretensa fortuna pagar uma dívida de 8 milhões de libras a uma organização criminosa. Para pagar a dívida do irmão, Edward considera vender a histórica propriedade, agora sua. Logo aparece em cena o americano Stanley (Giancarlo Esposito), vestido de homem rico e sofisticado, com poder mais do que suficiente para comprar a propriedade, mas, cedo percebemos que ele próprio é um criminoso de monta. E, aparece, sobretudo, Susie Glass (Kaya Scodelario), bonita, bem vestida e bem-falante, que explica ao aristocrata que o seu pai tinha com ela um negócio. Ela fazia crescer erva debaixo da propriedade e o duque recebia cerca de 5 milhões ao ano, para não querer saber muito.

E é assim que Edwards começa a lidar com Susie, Stanley e muitos outros personagens criminosos, melhor estilo de Guy Ritchie, realizador do filme The Gentleman, de 2019, que dá origem a esta série, igualmente criada por ele.

Griselda (2024)

26
Jan24

Cópia de Design sem nome (5).png

Reza a lenda que Pablo Escobar só tinha medo de uma pessoa: Griselda Branco. É a sua história que conhecemos em Griselda, nova aposta na Netflix e nova incursão do streaming no mundo do narcotráfico. Sofia Vergara, ela própria colombiana, deixa para trás os papeis redutores de “boazona” e assume aquele que pode ser o papel da sua vida. Não que a sua personagem não seja objeto de desejo, mas é muito mais do que isso. É ela que manda.

Encontramos uma Griselda já adulta, com três filhos e a fugir do marido violento, irmão mais novo de um barão da droga de Medellín. Para trás fica um casamento longo e tortuoso e uma vida como prostituta. Procurando uma nova vida em Miami, começa por vender um quilo de cocaína para começar uma nova vida e ao invés, usa a experiência que acumulou como braço direito do marido e começa um novo negócio.

Griselda enfrenta um mundo machista onde a sua opinião não tem valor, mas onde a sua determinação e inteligência começam a furar rumo à construção de um império. Uma bela surpresa de início de ano.

Os Irmãos Sun (2024)

22
Jan24

Cópia de Design sem nome (2).png

Bruce (Sam Song Li) é um jovem de Taipei a viver nos EUA com a mãe, a pacata enfermeira Mama Sun (Michelle Yeoh). Bruce, aquilo a que se pode chamar um “cromo” estudo medicina enquanto, às escondidas tem aulas de improvo, a sua verdadeira paixão. A milhares de quilómetros dali, Charles (Justin Chien) sofre um ataque em sua casa (enquanto faz bolos, a sua verdadeira paixão) e na sequência, o pai, Big Sun (Johnny Kou), chefe dos chefes da máfia de Taipé é alvejado e fica em coma. Charles viaja para os EUA para proteger a mãe e o irmão que não via há mais de 15 anos.

É assim que Bruce começa a conhecer verdadeiramente a mãe e a história da sua família e reencontra um irmão que praticamente não conhecia, criando laços, entre uma trama bem-humorada de ataques e espetaculares cenas de artes marciais. Uma pérola, pouco escondida que conta com cenas inesqueciveis como quando a Mama Sun prepara uns noodles com vaca, ao lado do cadáver de um assassino mandado para atacar o filho ou quando o grupo se esconde numa casa segura, propriedade do ator John Cho, onde tudo, da decoração aos chinelos tem a cara de Cho. 

Ozark (2017-2022)

08
Jan24

Cópia de Design sem nome (12).png

Marty Byrde (Jason Bateman) aceitou lavar dinheiro para um cartel de droga mexicano, mas manteve uma vida quase chata, no seu escritório, por muito que a atividade o fosse afastando, aos poucos da família. Numa altura em que o sócio se tornou demasiado vistoso para o gosto do discreto Marty e a mulher, Wendy (Laura Linney) procura calor nos braços de outro homem, um dos tenentes do cartel resolve visitar os fornecedores de Chicago, acabando por meter a maior parte deles em barris de ácido.

Marty, mais inteligente e inocente do que os outros, convence o “patrão” de que pode lavar mais dinheiro num pequeno paraíso desconhecido ao redor do lago Ozarks onde os mais pobres e saloios convivem, por vezes, com os mais ricos. Deslocando a família para o Missouri, Marty começa a lutar contra o tempo para lavar dinheiro dentro dos prazos e montantes exigidos à medida que tenta que os filhos tenham uma vida tão normal quanto possível e tenta voltar a ganhar confiança na mulher.

Mas o cartel não é o único problema dos Byrde. Além das suspeitas que a sua fuga levanta no FBI e a desconfiança da polícia local num homem recém-chegado com dinheiro vivo para investir (num hotel, num bar de senhoras dançarinas, numa funerária, numa igreja, um ambicioso casino...) Marty bate de frente com a família Snell, habituada a ter o monopólio local do crime e com os Langmore, pequenos/médios criminosos que lhe cobiçam os sacos de dinheiro que leva para a nova casa, mesmo que da família, tacanha, possa sair Ruth (Julia Garner), candidata a braço direito de Marty. Claro que, com o avançar das temporadas, outros vilões se juntam para nunca dar descanso a Marty, aparentemente imperturbável.

Ozark, criação de Bateman, mais conhecido por papeis em comédias românticas ou filmes de humor, faz lembrar Breaking Bad. É localizada numa cidade pouco óbvia; tem um ambiente próprio e sobretudo, tudo o que pode correr mal, corre mal ou pior. Uma obra prima.

A Queda da Casa de Usher (2023)

03
Jan24

Cópia de Design sem nome (14).png

A Queda da Casa de Usher é um conto de Edgar Allan Poe, publicado pela primeira vez em 1839 e agora transposto para série, pela mão de Mike Flanagan, responsável por outros sucessos do streaming como The Haunting of Hill House ou The Haunting of Bly Manor e do cinema como Doctor Sleep.

Acompanhamos, claro, a tal Casa de Usher e a sua queda. Os Usher são dois irmãos, filhos bastardos de um empresário riquíssimo que nada lhes dá a não ser uma mãe enlouquecida. Roderick e Madeline só se têm um ao outro e à sua enorme ambição comum. Na noite 1979 para 1980 fazem a sua versão de vender a alma ao Diabo, fazendo um trato com uma mulher misteriosa que lhes oferece poder e dinheiro em troca da finitude da linhagem Usher em simultâneo, dali a muitos anos. Os dois esquecem o episódio e só na sua maturidade voltam a pensar e a ver a tal mulher, Verna (Carla Gugino).

Nos anos que se seguem, tornam-se nos líderes da Farmacêutica Fortunato e fazem-na crescer como nunca, colecionando fama e dinheiro. Muito. Se Madeleine se mantem solteira, Roderick, já com dois filhos na altura do acordo, acaba por ter mais quatro herdeiros de várias mães. Roderick (Bruce Greenwood) e Madeline (Mary McDonnell) começam a ver os herdeiros a morrer, um a um, eles que se tornaram adultos caprichosos à conta das suas enormes fortunas e desejo de agradar a um pai, que mais de metade só conheceu quase na idade adulta. Nem toda a experiência de Arthur Pym (Mark Hamill), advogado e faz tudo da família faz com que a matança pare.

Perry (Sauriyan Sapkota), o mais novo e dedicado apenas aos prazeres da vida é o primeiro a cair, numa orgia por si organizada, sobre a qual cai uma chuva ácida. Seguem-se Leo (Rahul Kohli), criador de videojogos de sucesso e viciado em todo o tipo de drogas; Camille (Kate Siegel), responsável pelas relações públicas da família e com gostos e uma vida particular muito própria e Victorine (T'Nia Miller), que testa em inúmeros chimpanzés um novo e revolucionário pacemaker, que não funciona. Os dois primeiros filhos de Roderick seguem-se. Tamerlane (Samantha Sloyan), à beira de lançar uma marca de bem-estar de luxo e Frederick (Henry Thomas), o filho mais velho.

É já com a família quase toda morta que Roderick recebe, na velha casa da família, o detetive Auggie (Carl Lumbly) que o acompanhou desde o início da carreira de ambos, passando de aliado a inimigo e finalmente, a confessor. 8 episódios imperdíveis.

A Última Batalha do Imperador (2003)

13
Dez23

Design sem nome.pngEste “Monsieur N.” conhecido por cá como “Napoleão – A Última Batalha do Imperador” já tem vinte anos, mas só agora o vi. Nele encontramos Napoleão (Philippe Torreton) no exilio na ilha de Santa Helena, uma pequena ilha descoberta pelos portugueses, mas nunca colonizada até os ingleses tomarem conta dela. Foi lá que o antigo imperador francês viveu os seus últimos dias. Ou será que não? Antoine de Caunas explora a possibilidade de história diferente, a da fuga ardilosa de Napoleão da ilha. Nos entrefolhos da narrativa escapa a possibilidade de o imperador ter acabado a vida como homem livre e não de ter morrido isolado e prisioneiro.

Mas mais do que esta linha, o que mais interessa no filme é como a figura de Napoleão, mesmo em queda, criava grande impacto em todos os que os rodeavam. Desde logo continuava a ter à sua volta uma pequena corte, de bajuladores e interesseiros, mas também dos mais dedicados súbditos. E pelo filme, também os ingleses lhe tinham respeito e temor, como se comprava pelas apertadas medidas de segurança que Napoleão fingia ignorar ou pelo menos minorar. A malha aperta quando chega à ilha Sir Hudson Lowe (Richard E. Grant), um oficial com um currículo cheio de falhanços que quer impor mais e mais apertadas regras a Napoleão, numa postura de ódio com algum mal disfarçado respeito. É no jovem oficial Heathcote (Jay Rodan) que Napoleão deposita algum respeito.

Cuba Libre (2022)

19
Out23

Design sem nome.pngCubra Libre continua a contar a história de evolução da ficção nacional, em termos de qualidade técnica, qualidade de narrativas e de representação. Desta vez, debruça-se sobre a história verídica de Annie (Beatriz Godinho), filha do diretor da PIDE e criada num contexto de privilégio que acaba por abraçar a causa comunista em Cuba e apaixonar-se por…Che Guevara. Rebelde desde o nascimento, Annie, jovem bonita e culta, sempre quis pensar pela sua cabeça, entrando em conflito aberto com a mãe e tendo sempre o amor incondicional e permissivo do pai, rema sempre contra a maré, tentando escapar ao tédio da Lisboa dos anos 50 e 60, que pouca emoção lhe traz. Quando conhece um diplomata suíço, vê a sua oportunidade de aventura e depois de largos de meses de tédio, consegue o quer, quando o marido é colocado em Havana, assistindo à crise dos misseis de Cuba in loco. Annie Silva Pais entregou-se então à revolução.

Fome (2023)

16
Out23

Design sem nome.pngVer Fome, no Netflix, permitiu-me ter uma das primeiras experiências com o cinema tailandês, o que é sempre interessante. Aqui, seguimos a vida de Paul, um chef (Nopachai Chaiyanam), autoritário, perfecionista e figura de culto, que gere um restaurante de topo, no topo de um arranha céus e faz eventos privados para a nata da sociedade local. Bem mais pobre e menos sofisticada é Aoy (Chutimon Chuengcharoensukying) que trabalha no modesto restaurante do pai, manuseado com mestria um wok para fazer pratos populares. Quando um membro da equipa de Paul a aborda, Aoy não resiste a tentar a sorte no mundo da alta cozinha, deixando a família e tudo o que conhece para trás, tentando aprender e superar o mestre.

Fome não tem o visual cru que seria de esperar nem uma história tão dura como poderia fazer sentido mas a sua abordagem "fácil" e "comercial" funciona e sabe bem.