The Gilded Age
Série, 2022-?
The Gilded Age é o grande sucesso de Julian Fellowes, escritor, guionistas, produtor e ator, após a sua obra-prima, Downton Abbey (o grande finale já está nas salas de cinema). Aqui, deixamos Inglaterra e conhecemos a Nova Iorque na década de 1880, anos de grande crescimento económico da cidade e do país.
No centro, temos duas grandes famílias vizinhas na Quinta Avenida. De um lado (literalmente), os Van Rhjin, representantes do Old Money e da tradição e do outro, os Russell, novos ricos, que subiram na vida a pulso, tornando-se das famílias mais ricas da cidade à conta do seu engenho para os negócios. Esta nova classe, representada pelos Russell, cria um choque entre aqueles que se consideram a nata da sociedade, mesmo que as suas contas bancárias possam já não refletir isso.
A ação desenrola-se com a chegada da jovem órfã Marion Brook a Nova Iorque para viver com as tias. Uma, Ada, é doce e compreensiva e logo se torna no apoio da Marion. A outra, Agnes, dona da casa e da fortuna e irmã mais velha de Ada, está habituada a ser o centro das atenções e decisões. Atravessado a estrada, encontramos Bertha Russell, o motor de uma família agora acostumada a ter muito dinheiro, que se move nos bastidores, de forma bastante maquiavélica, para conseguir ser aceite. Pensa no melhor futuro para os filhos, ou seja, como os casar bem (com realeza do Velho Mundo, de preferência) e em como elevar o nome da sua família, através da construção da melhor e maior casa da cidade e do mecenato a todo o tipo de causas. Ao seu lado, tem George, um astuto homem de negócios, que apoia a mulher nos seus planos, além do pagar. Não se pense que é maldade, snobismo ou ganância a guiar (apenas) estas famílias. Fellowes faz questão de dar profundidade às suas personagens, de modo a que percebamos o seu percurso, as suas motivações e as suas ações, sendo que há uma evolução na história de cada um.
As histórias, tal como em Downton Abbey, multiplicam-se e vão muito além dos núcleos centrais. Desde logo, não falta staff às duas famílias e cada um dos empregados tem a sua história de vida (o cozinheiro que se faz passar por francês por achar que isso seria bem visto pelos empregadores, a vil criada de quarto que ascende na sociedade ou o jovem camareiro que inventa um novo despertador) que vai sendo contada. Uma das empregadas dos Van Rhjin é uma mulher negra, educada, que se torna secretária pessoal de Agnes, mas também é jornalista e escritora e mesmo tendo nascido livre e privilegiada, tem nos opais o lembrete de que os negros ainda não são iguais na sociedade americana, o que fica claro numa viagem ao sul do país e até na relação com outros negros, que se vêm como superiores.
Este é um mosaico muito completo de parte da história americana, que vale a pensa ver com toda a atenção.